AMOSTRAGEM DE MEDIÇÃO EM TELEATENDIMENTO

Um ponto que merece destaque são as amostragens de audio-dosimetria de fone e sem fone necessárias para a análise de exposição ao ruído ocupacional em teleatendimento, em atendimento as exigências legais conforme classificação de atividades de risco do Ministério do Trabalho e Emprego presente na Norma Regulamentadora 15, anexos 1 (ruído contínuo ou intermitente) e 2 (ruído de impacto).


Há um equivoco quando se confunde a NR-17 com a NR-15, pois cada uma trata de assuntos diferentes para a questão ambiental e de exposição ao risco com perdas auditivas. Neste contexto, para as medições adequadas, atendendo corretamente as regulamentações, deve-se utilizar as técnicas de medição da ISO 11904. Relacionada com as medições para campo próximo, fones e head-sets, que conforme a norma deve ser corrigida para campo difuso para comparação correta com os limites normativos nacionais. Estes pontos são muitas vezes negligenciado pela maioria dos profissionais, pois necessita de conhecimento mais aprofundado na área de ruído ocupacional, em processamentos de sinais e em acústica de sala para aplicação das correções da norma. Inclusive a utilização do Ln (níveis estatísticos dos equipamentos de medição).


Então, para as medições devem ser aplicados métodos e critérios de amostragens reconhecidos, evitando a opinião individual. Deve-se, portanto, atender um quantitativo mínimo para audio-dosimetria de fone e sem fone. Esta última, do ambiente, é indispensável para complementar a análise da exposição aos níveis de pressão sonora dos fones e as análises das condições ambientais para toda a jornada de trabalho. Suprindo as necessidades de rastreabilidade metrológica, possibilitando analisar os resultados de forma adequada, confiável e reconhecida.


Abaixo segue o numero de amostras mínimo que devem ser consideradas dentro de um programa de monitoramento anual. Clique nas imagens para expandir.

 
 

Alertamos que os níveis de pressão sonora (NPS) de fones são normalmente do tipo intermitente variável, isto é, necessitam de medição da maioria da jornada de trabalho. O que vem acontecendo são algumas empresas e profissionais de forma aleatória e individual, utilizarem de poucas amostragens ou medições em função de marcas e tipos de fones, para considerar a exposição para todos os colaboradores do site. Um equivoco, pois os fones podem emitir valores instantâneos maiores que 100 dB(A), além do choque acústicos que são dependentes da manutenção das proteções contra pico, além da qualidade e tipo de fone, características do ambiente e dos serviços atendidos, que também são variáveis por período do dia e dependente do treinamento dos operadores. A fiscalização deve ficar atenta a esta prática de responsabilizar o fornecedor do head-set ou utilizar as medições de algumas situações acústicas para tentar eliminar a necessidade de demonstrativos anuais numa atividade onde há risco de exposição a níveis de pressão sonora elevado. Inclusive o uso de head-set de forma continuada é uma questão de saúde publica Mundial.


A medição de fone deve ser aplicada a todos que utilizam de fone de ouvido no trabalho, como nas atividades como: pilotos de aeronaves, militares, rádio, comunicação e televisão, teste de linhas telefônicas, dentre outros. As perdas auditivas dos profissionais destas áreas são estatisticamente elevadas, contudo embora haja regulamentação e técnicas reconhecidas a mais de 20 anos não há a pratica da quantificação, prevenção e controle. Tais áreas ainda são pouco consideras nos demonstrativos ocupacionais anuais (obrigação patronal) , o que  impacto num custo sistêmico para toda a sociedade, com riscos de passivos e indenizações, além das questões civil e penais. 


Não há justificativa para não identificar, reconhecer e quantificar como preconizado no PPRA (NR09) e na NR15 anexo 1 e 2.

LIMITES NORMATIVOS

Os limites normativos para o agente ruído ocupacional são bem definidos nas normas do MTE, como NR15, anexo 1 e 2. São estabelecidos em função do tempo de exposição (8 horas) em conjunto com o Limite de Tolerância (85 dBA) e taxa de troca (q=5) para uma dose de 100%. Isto é, considera-se que acima de uma dose de 100% a operação / atividade é insalubre, assim como acima de 50% as mesmas estão acima do limite de ação (NR09) devendo o empregador realizar alguma medida de controle para mitigação.


Contudo, a dose de exposição (relação tempo e nível de pressão sonora) não é a função mais utilizada nos demonstrativos ambientais, pois não passa o sentimento ou a ideia de quanto o ruído está elevado. Então, nas norma e regulamentações é permitido a utilização do nível de pressão sonora normalizado ou limite normalizado que nada mais são que o nível de pressão sonora considerado para toda a jornada de trabalho fixa de 8 horas (origem ACGIH). Desta mesmo forma na área de teleatendimento deve-se ter atenção a este fato. Se fosse considerado a função dose não haveria necessidade dessas normalizações dos níveis de pressão sonora.


Como exemplo: Imagina um operador de teleatendimento estar expostos a uma dose de 90% diária, sabendo que o mesmo labora 6 horas por dia 6 vezes por semana. Qual seria o enquadramento da atividade e o nível de pressão sonora normalizado? Muito fácil quando se trabalha com dose de exposição: 6 dias x 90% de dose por dia = 540% de dose na semana e não 500% (5 dias x 90%), como acontece as vezes por falta de conhecimento do avaliador na área de ruído ocupacional. Quem trabalha mais um dia na semana logicamente ficará mais exposto.


Desta forma a dose de exposição efetiva, para fim de comparação com os limites normativos, neste caso seria 108% ( 540/5 ), portanto atividade insalubre.


Então, neste mesmo contexto, evitando cálculos ou interpretações equivocadas normaliza-se os limites para 6 horas diárias considerando 6 dias por semana, o que efetivamente é o mesmo que 7,2 horas diárias 5 dias por semana. Os cálculos normalizados para balizar todas as possibilidades de exposição devem ser realizados somando toda a exposição nos sete (07) dias da semana e dividi-la por cinco (05), comparando adequadamente todas as possibilidades: referência ACGIH.


Então, concluindo: deve-se considerar nos cálculos normalizados 7,2 horas, 5 dias por semana (que é igual a 6 horas diárias 6 dias por semana que é a jornada real do teleatendimento), e, onde teremos um limite de tolerância de 85,8 dB(A) e um limite de ação de 80,8 dB(A).


Nota Importante: usar 6 horas diárias 5 dias por semana é um equivoco, pois os  limites passariam para 87 dB(A) e de ação 83 dB(A). O que não é a realidade, pois neste caso estaria-se considerando exposição 5 dias por semana na mesma situação daquele que trabalha 6 dias por semana nestas mesmas condições. O que é claramente um equivoco sem necessidade de cálculos, pois a lógica já permite concluir que quem trabalha mais um dia estará mais exposto e esta exposição deve ser considerada na avaliação.