Método OURO da Cabeça Artificial:


O ISO 11904-2:2004 especifica os métodos básicos de medição da emissão sonora a partir de fontes colocadas perto da orelha. Estas medições são realizadas com manequins normalizados equipados com simuladores de ouvido, incluindo microfones especiais. Os valores medidos são posteriormente convertidos em níveis de campo livre ou campo difuso correspondente em atendimento as normativas. Os resultados são dados como níveis de pressão sonora equivalente contínuo relacionado ao campo livre ou ao campo difuso conforme objetivo da análise. A técnica é chamada de ouro com manequim ou cabeça artificial normalizada.

Há inúmeros artigos de pesquisadores nacionais que tendem a induzir sobre questões envolvidas com a técnica da cabeça artificial, que por ser chamada de ouro devido as exatidões é a mais adequada para o teleatendimento dentre as atividades que o colaborador utiliza fones de ouvido (head-set) para a maioria da jornada de trabalho (veja aqui). Por não haver maiores motivos que possam comprometer a técnica, alguns profissionais equivocados destacam que por medir a situação acústica com um separador sinal não estariam avaliando a mesma situação. Ora, o separador divide o sinal que será monitorado em dois canais semelhantes e o usuário fica a vontade em aumentar o volume, por isso essa técnica é normalizada pela ISO 11904-2. Como a técnica permite a medição durante a jornada, em intervalos de 1 a 2 horas trocam-se os fones, portanto, os canais, quando o colaborador continua tendo o controle do volume. Portanto, caso houvesse alguma diferença entre canais esse valor tenderia para uma média mais elevada (EMR - Exposição de Maior Risco): um valor mais conservativo já que as médias em dB jogam para cima.

Os próprios fabricante de head-set fabricam e usam o dispositivo carona, também chamado de carrapato ou separador de sinais, como um elemento que separa o sinal para que ambos os canais com fones de mesmo modelo tenham sinais semelhantes, da mesma forma que os fones são homologados com as mesmas impedâncias passando em testes comparativos. Embora seja um questionamento de alguns especialistas, por falta de experiência prática, tendências e ausência de conhecimento aprofundado da ISO 11904, devido a medição da jornada (pelo menos 75% da jornada diária) esse método, da cabeça artificial é normalizado pela ISO 11904-2 e o mais adequados, pois já permite apresentar os resultados para campo difuso, isto é, já com valores que podem ser comparados com limites normativos estabelecidos por normas do MTE e MPAS; sem individualizar o laudo como na técnica MIRE que necessita ainda de uma correção complexa dos dados de medição no tempo, pois cada indivíduo possui canal auditivo com comprimentos e, portanto, volumes diferentes do canal auditivo.

Comparar as diferenças possíveis de volume do canal auditivo com os de canal elétrico controlado por métodos de engenharia é no mínimo uma piada ou falta completa de bom senso. Incertezas de medições são uma questão metrológica controlada, mas erros por ausência de correções e falta de conhecimento metrológico e normativo são imperícias.

O ISO 11904-2: 2004 é aplicável à exposição ao som de fontes próximas à orelha, por exemplo, durante testes de equipamentos ou no local de trabalho para som de fones de ouvido ou protetores auditivos com instalações de áudio comunicadores como head-set(s) e comunicadores auriculares. O ISO 11904-2: 2004 é aplicável na faixa de frequência de 20 Hz a 10 kHz. Para frequências acima de 10 kHz, pode ser utilizado o ISO 11904-1 do Microfone MIRE considerando as correções, preparação do colaborador e tempos de avaliações menos representativos, pois são susceptíveis a erros de medição como choque do microfone no canal auditivo que pode inviabilizar a medição devido a overload do sinal ou ser interpretado erradamente como um choque acústico.


 
 

Deixamos claro que as duas técnicas são permitidas, onde para a avaliação da jornada de trabalho a técnica da cabeça artificial é a mais adequada, pois a MIRE se mostra inviável para tempos elevados de medição que é uma questão fundamental para a avaliação da exposição do trabalhador.


A técnica do microfone Mire necessita de correções complexas por indivíduo o que demanda de tempo, profissionais especializados e qualificados, conhecimento nas técnicas de processamento de sinais. Além disso, para uma jornada de trabalho onde há pausas e retirada do fone ou head-set, questões como incômodo do usuário e colisão do microfone mire no canal auditivo são uma realizada, pois ao mexer no fone ou troca-lo de orelha sinais espúrios e erros de medições são uma questão importante, deixando essa técnica mais susceptível a erros de avaliação. A técnica MIRE por se normalmente mais barata acaba sendo induzida de forma equivocada por alguns profissionais tendenciosos, o que vem provocando imperícias e laudos incongruentes devido aos erros e as necessidades de correções para o campo difuso por indivíduo no caso do teleatendimento. A técnica MIRE individualiza os resultados, onde as medições em grande período e número de amostras tornam essa técnica mais demorada e com interferências do avaliador nos resultados, não adequado para a neutralidade e idoneidade dos processos de medição com respaldo técnica e legal dentro de uma cadeia de custódia e necessidade de se aproximar a realidade com avaliações representativas.


Artigo internacional com comparações entre técnicas, onde é destacado o Manequim normalizado:


A medição da exposição ao ruído dos fones de ouvido de comunicação representa um desafio metodológico. Embora vários padrões descrevam métodos para medições gerais de ruído em configurações para a análise da exposição ocupacional, estes não são diretamente aplicáveis ​​às avaliações de ruído em fones de ouvido de comunicação (clique aqui). 


Para medições próximas as orelhas métodos específicos foram especificados pela Organização Internacional de Normalização (ISO 11904), como o microfone MIRE e a técnicas ouro do manequim (cabeça artificial). Métodos mais simples também foram propostos em alguns padrões nacionais, como o uso de orelhas artificiais e simuladores de propósito geral, em conjunto com correções de um único número para converter medidas para o campo difuso equivalente. Essa conversão que é dificultada quando aplicado o MIRE, mas é fundamental para comparação com os limites normativos. No artigo especialistas posicionaram os auscultadores de comunicação, supra-aural e de inserção em quatro configurações de medição diferentes (tipo 1, tipo 2, orelhas artificiais tipo 3.3 e manequim acústico como método ouro comparativo). As medidas foram tomadas em condições silenciosas de laboratório. Os dados foram transformados em níveis de pressão sonora de campo difuso equivalente usando procedimentos de correção de terça de oitavas. Os resultados indicam que a orelha artificial chamado de metodo Tipo 1 não é adequada para a medição da exposição de som nos fones de ouvido de comunicação (chamada de técnica de orelha artificial de bancada), enquanto as orelhas artificiais tipo 2 e tipo 3.3 estão de acordo com a técnica de manequim acústico que é considerado como a técnica ouro da cabeça artificial da ISO 11904-2. As correções de número único foram aplicadas no artigo para avaliar a agrande incerteza de medição, tornando preferível o uso da transformação com o uso das terças de oitavas.


O artigo que permite concluir de forma neutra a importância da correção conforme a Norma ISO 11904 destaca. Essa correção é praticamente inviável quando se está usando a técnica do microfone MIRE para a jornada de trabalho, pois deve ser realizada por indivíduo e em terça de oitavas. Além disso, o indivíduo antes das medições deve passar pelo ambulatório médico para limpeza do ouvido adequando-o para medições com o MIRE.


A 3R Brasil Tecnologia Ambiental junto com o DEM-Departamento de Engenharia Mecânica da PUC-Rio desenvolveu uma metodologia reprodutiva e adequada para a área de teleatendimento. Com o uso da cabeça artificial padronizada KU100 em conjunto com o equipamento svantek 102 (áudio-dosímetro especial de dois canais) e um dispositivo de casamento de impedância que possibilita a medição em dois canais simultâneos com os dois ouvidos da cabeça artificial, qaundo um terceiro equipamento mede os níveis de pressão sonora do ambiente. Com esta técnica avalia-se adequadamente e com rastreabilidade dois operadores de teleatendimento de forma simultânea e ainda o ruído ambiente. Comprovando as correções adequadas e desvios para campo difuso e comparação direta com os limites normativos.

  • ISO 1999Acoustics — Determination of occupational noise exposure and estimation of noise-induced hearing impairment
  • ISO/IEC Guide 98-3Uncertainty of measurement — Part 3: Guide to the expression of uncertainty in measurement (GUM:1995)
  • IEC 60942:2003, Electroacoustics — Sound calibrators
  • IEC 61252, Electroacoustics — Specifications for personal sound exposure meters
  • IEC 61672-1:2002, Electroacoustics — Sound level meters — Part 1: Specifications
  • ISO 11904 (1 e 2) - Determination of sound immission from sound sources placed close to the ear.